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Title: Formação continuada de professores alfabetizadores em vertigem: uma análise do curso Práticas de Alfabetização e seus (des)encontros com a prática docente
Authors: RAMALHO, Ângela Maria Alexandre
Keywords: Alfabetização; Formação Continuada; PNA/ Tempo de Aprender/ curso Práticas de Alfabetização
Issue Date: 16-May-2025
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Citation: RAMALHO, Ângela Maria Alexandre. Formação continuada de professores alfabetizadores em vertigem: uma análise do curso Práticas de Alfabetização e seus (des)encontros com a prática docente. 2025. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025.
Abstract: Este trabalho buscou compreender o processo de implementação da Política Nacional de Alfabetização (PNA) em uma rede de ensino, a partir da análise do curso Práticas de Alfabetização e suas reverberações na prática docente. Entendemos que as mudanças no campo político no Brasil, a partir do ano de 2016, afetaram significativamente a educação escolar e, dada a natureza essencialmente social da língua materna, as formas de se definir as diretrizes para seu ensino ficaram fortemente sujeitas a tais mudanças, culminando na promulgação da referida política. Nesse sentido, realizamos uma pesquisa qualitativa que contemplou dois tipos: documental e de campo. Por meio da pesquisa documental, analisamos as concepções teórico-metodológicas de alfabetização e formação continuada presentes no curso Práticas de Alfabetização, um dos cursos do programa Tempo de aprender, criado no âmbito da PNA. A escolha desse curso se deu pelo seu caráter obrigatório a todos os professores alfabetizadores das redes de ensino que aderiram ao referido programa. A pesquisa de campo, de cunho etnográfico, foi realizada em uma rede municipal, observando especificamente as práticas de duas docentes do primeiro ano do ciclo de alfabetização e que cursaram o referido curso. No referencial teórico desta pesquisa, dois eixos se entrecruzam: a alfabetização, com base em Soares (1998,2016,2020), Mortatti (2010,2019),Ferreiro (2001),Frade (2007); Morais (2012,2019), Antunes (2003), Geraldi (1996) dentre outros; e a Formação docente com foco na formação continuada, tendo como base nas discussões de Gatti (2010), Nóvoa (2009), Imbernón (2011),Freitas (2002),Tardiff (2002), Tardiff e Moscoso (2018), Araújo e Silva (2009), Ferreira(2014), Ferreira, Albuquerque e Windler (2017) e Chartier (2000,2017). Evidenciamos na discussão teórica as tensões observáveis dentro desses dois eixos no processo sócio-histórico. Tensões essas que forjaram diferentes concepções, que refletem diferentes visões e projetos de sociedade e educação. A interpretação dos dados foi desenvolvida sob a perspectiva da análise de conteúdo (Bardin,1977). Os resultados evidenciaram que o curso Práticas de alfabetização foi elaborado a partir de uma concepção de língua enquanto estrutura, desvinculado das práticas sociais dos sujeitos, e, em decorrência dessa concepção, orienta o ensino em uma perspectiva associacionista, reduzindo a aprendizagem do Sistema de Escrita Alfabética a percepção e ao treino das relações fonema-grafema. Quanto à formação continuada, materializa a perspectiva liberal conservadora com forte marca de uma racionalidade técnica, tratando o professor como mero executor de prescrições e cumpridor de procedimentos elaborados por “especialistas”. Os desencontros da proposta do curso com as práticas docentes foram perceptíveis, pois estas evidenciaram fortes marcas de uma alfabetização fundamentada nos princípios sociointeracionistas e uma postura reflexiva em relação às suas práticas. Observou- se, assim, que o paradigma da alfabetização na perspectiva do letramento, vivenciado em programas anteriores, foi apropriado pelas docentes, não conseguindo a PNA apagá-lo. Diante disso, sinalizamos para a pertinência de uma construção de redes sólidas locais para formação e acompanhamento dos professores alfabetizadores, a fim de que políticas no âmbito federal possam ser desenvolvidas de forma mais participativa e crítica. Defendemos que, ao repensar formas de elaboração e execução de tais políticas, três elementos devem ser considerados: o contexto das práticas, a pesquisa e a troca entre pares.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/69880
Appears in Collections:Teses de Doutorado - Educação

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